Crônica

Maternidade distópica

Você tem um filho. A Licença maternidade no Brasil tem duração de 4 meses, em alguns casos a licença pode ser estendida para 6 meses. Se optar voltar ao trabalho (como se fosse opção), terá que colocar em um berçário ou contratar uma babá. Os valores são diversos – entre caro e caríssimo – para as duas opções. Até porque a opção de encontrar um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) com agilidade é quase impossível no atual cenário.

Não sei se as pessoas sem filhos, os deputados, as empresas, sabem, mas um bebê/criança adoece muito, muito mesmo, durante um ano – até os quatro, cinco anos de idade. São gripes e resfriados, alergias, viroses, pneumonias, bronquiolites, que exigem atenção dos pais, principalmente da mãe. E estou falando de uma criança sem nenhuma outra intercorrência.

A licença de acompanhamento de filho ao médico está prevista na Consolidação das Leis de Trabalho (CLT). Você pode faltar uma vez ao ano no trabalho para acompanhar seu filho ao médico. É isso mesmo: uma vez. Esse mesmo filho que adoece umas três vezes ao mês, que a febre perdura por uns três dias, a diarreia por uns quatro dias e que te exige atenção no cuidado para superar as doenças. Sem contar as vacinas obrigatórias.

É absurdo? É. Por isso, em alguns casos, as Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) podem prever a possibilidade de mais de um atestado por ano para que a mãe possa cuidar do filho doente. Normalmente, dois dias, com atestado médico e com Classificação Internacional de Doenças (CID) Z761. Parece piada de mau gosto, mas não é.

A jornada padrão de trabalho é de 8 horas por dia e 44 horas por semana. Normalmente, o horário de saída do serviço é às 17h. E adivinhe qual é o horário que tem que buscar o filho na escola? 17h. Há variações? Sim. Mas normalmente é isso mesmo. Mãe tem que ir contra a lei de Isaac Newton, que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo.

E, claro, mães, não se esqueçam de sempre estarem atualizadas, bem arrumadas, serem produtivas, praticar um exercício físico, se alimentar bem e guardarem um tempo para vocês. Isso é o que médicos, psicólogos e uma série de profissionais solicitam.

Às mães que trabalham, coragem, força e fé!

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