Ronaldo Caiado e o coice da mula


Waldemar Rêgo | OPINIÃO

Caiado caiu do cavalo – ou melhor, da mula. Mas dado às circunstâncias de sua repentina queda, alguma coisa ficou no ar, em suspenso.

Imagine: Caiado caiu da mula, se machucou e não obstante estivesse gravemente ferido foi votar para que Michel Temer também caísse, só que do cavalo – uma obrigação. Pressionado pela opinião de seus eleitores ele foi lá e cravou o voto contra o pior presidente de nossa história. Seu passado e intenções políticas não permitiriam outra coisa. Coerência, é o que se espera do senador.

Pois bem, Caiado lidera as pesquisas ao governo para 2018. Segundo o Instituto Serpes/Acieg, ele teria 44% dos votos. Eleição líquida e certa. Já o filho de Maguito Vilela possui empacados 12,1% e o homem sem voto 6,2%.

A eleição de Ronaldo Caiado é líquida e certa, mas nem tanto. O Democratas é um partido pequeno em Goiás e só nome e história não ganham eleições, é preciso ter partido com base em todo o Estado para difundir uma candidatura (cabos eleitorais e horário de TV).

Dizem as boas línguas que assessoram o senador que ele teria 14 legendas em sua base se as eleições fossem hoje. No entanto um partido como o PMDB não se despreza. Resta saber qual PMDB apoiará o senador. Caiado, como todos sabem se elegeu senador em cima da base do PMDB de Iris Rezende – não na base do PMDB de Maguito. (Que fique bem claro: há dois PMDBs em Goiás, o de Iris e o de Maguito).

Pois bem, vaca morta, vamos aos fatos da vaca. Segundo a autópsia em curso, quando Caiado caiu da mula, ele machucou primeiro o ombro, depois apareceu um trem na cabeça, depois outro trem no pulmão e sabe-se lá onde mais essa mula afetou o senador. O certo é que com isso ele deu uma brecada na pré-campanha e o filho de Maguito ficou livre, leve e solto para tentar emplacar sua candidatura – ou seja: com o caso da mula, o senador Ronaldo Caiado deu a Daniel Vilela a oportunidade de subir nas pesquisas, o que não está acontecendo de forma convincente. Isso parece jogo arranjado, um acordo, mas quem deixaria o jogo correr frouxo com 44% de intenções de voto?

Caiado sabe que é seu estilo de fazer política que o coloca à frente de todos outros demandantes.

Por outro lado Maguito e Daniel sabem que sem Caiado na base, eles perdem as eleições e Ronaldo Caiado sabe disso mais do que eles, pois é o candidato de Iris Rezende Machado – o legítimo e único dono do PMDB em Goiás – e a quem interessar possa, partido tem dono sim. Em Goiás quem manda no PMDB é Iris e se Iris não subir no palanque de Daniel, babau. Outra: se Caiado sair candidato e Daniel também, os dois podem morrer abraçados, se mordendo mutuamente e isso é tudo que Marconi quer, rachar a oposição para eleger o seu Zé.

O coice da mula

Outro fato que entrou como areia nas engrenagens de 2018 foi à ascensão de Alexandre Baldy aos píncaros da glória – ele agora é Ministro das Cidades, pode?

Pode e veja por que…

Com o esfacelamento dos planos de Marconi Perillo de concorrer à presidência da república pelo PSDB, um negócio foi costurado entre ele, Rodrigo Maia – presidente da Câmara e Michel Temer, que seria fisgar um nome jovem da base política do governador para receber um destaque nacional e com isso potencializar-se para fazer o que o Zé Eliton não consegue – viabilizar-se como candidato da base marconista.

Ora desde sempre tenho dito que quem manda no PP de Goiás é Marconi – e Baldy deve filiar-se ao PP e disputar o governo. É o tombo que estão dando no Zé, o Zé que não sobe. O PP sempre esteve aos serviços de Marconi, basta revolver a história e saber de onde veio Alcides Rodrigues.

Detalhe: que dia Baldy teria cacife para se fazer ministro sem uma articulação que não tivesse o dedo do governador Marconi? O que está por trás disso? A resposta só pode ser esta: como Zé Elinton não sobe nas pesquisas alguém teria que entrar no jogo. Então deram um gato no Baldy, fizeram dele ministro e toma lá, que 2018 está chegando.

Outra coisa grave para os goianos: Baldy é o Menino de Ouro de Carlinhos Cachoeira que por sua vez enrolou Marconi em seus negócios. Junto com ele, desde há muito tempo, enrolou também grandes políticos de Goiás – desde o escândalo da Gerplan até à apresentação dele (Cachoeira) por Maguito Vilela ao então governador do Paraná Roberto Requião.  Isso equivale a dizer que para o PMDB tanto faz dar Daniel na cabeça ou Baldy, os negócios continuarão como sempre – ninguém irá mexer no castelo de cartas da máfia do jogo que sustenta parte da política de Goiás.

Em síntese, há uma luta cega de parte do PMDB e do PSDB para que jamais, em hipótese alguma, sob qualquer circunstância, deixar com que Caiado assuma o governo, porque todos sabem que, assumindo o governo, a verdade sobre o grande canalha será revelada.

O temor é que para que fulano receba apoio de sicrano, ele terá que deixar beltrano atuar, como sempre. O que se espera do senador é a ruptura desse modelo mafioso de se fazer política em Goiás.

Waldemar Rêgo  é jornalista

waldemarregojr@gmail.com

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