Segundo turno entre Ciro Gomes e Geraldo Alckmin?


 

Paulo Henrique Faria | Especial para Politikos

O instituto Datafolha divulgou no último sábado (02/12) o resultado de mais uma pesquisa de intenções de votos para presidência em 2018. Nas manchetes dos principais sites e jornais só deram destaque para a manutenção da bipolaridade entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o deputado federal Jair Bolsonaro (Patriotas), os dois primeiros colocados dos últimos levantamentos feitos em 2017.

Veja abaixo os números com os principais pré-candidatos:

 

Entretanto, o que quase ninguém mencionou é que no cenário sem o Lula – essa situação é provável, haja visto que o ex-presidente pode ser condenado e ficar impedido de concorrer – é que Bolsonaro cresce pouco. A ex-ministra Marina Silva (Rede) – terceira colocada no geral – aumenta sua pontuação, mas fica praticamente empatada tecnicamente com ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes (PDT).  Ciro Gomes aliás,  salta de 6% ou 7% para 12% e até 13%. Ou seja, sem Lula na disputa Ciro Gomes sobe para terceira posição e até a segunda, nos cenários em que Marina está fora. 

Vejam a seguir:

Outros dois fatores importantes a se considerar é que o governador de São Paulo Geraldo Alckmin – que deverá ser o candidato do PSDB – já conseguiu resultados mais expressivos que o seu apadrinhado, o prefeito paulistano João Doria. Entretanto, Geraldo fica estagnado em terceiro ou quarto lugar e não avança, ainda, pois Bolsonaro herdou parte expressiva dos votos peessedebistas. Além disso, o ex-prefeito Fernando Haddad não passa de 4% de intenções, mesmo quando o companheiro de partido Lula sai da disputa.  
Um quesito que faltou análise é no que tange rejeição. No levantamento foi ratificado o alto índice de reprovação de Lula (39%) e, agora, também Jair Bolsonaro (28%). Dos principais candidatos ao Palácio do Planalto, o que tem menor rejeição é justamente Ciro Gomes, que aparece com 22%. Este índice é relevante pois mostra quem pode ou não crescer na campanha eleitoral do ano que vem.
Dados completos:  
Em suma, o que é perceptível é que se Lula ficar mesmo fora das eleições, o Partido dos Trabalhadores não tem outro candidato para lançar. Tanto Jaques Wagner, quanto Fernando Haddad não engrenam, mesmo se o cacique petista tentar transferir votos. É nesta seara que Ciro Gomes pode se dar bem, haja visto o currículo que possui e a contundência nos argumentos e projeto de governo. Ciro talvez seja o candidato com maior potencial de votos, porque tem rejeição menor, um grau de conhecimento dos eleitores médio e pode assim, pelo discurso agregador, conseguir votos de todos os espectros ideológicos. Nos debates e campanha oficial pode abocanhar parte dos eleitores de Bolsonaro, Marina e até Alckmin.
Sem Lula, Ciro certamente irá para o segundo turno. Além disso, o “efeito Bolsonaro” dá sinais de esgotamento, pois já está no seu teto de intenções de votos – que podem facilmente ser migrados para a Direita e até a Esquerda – e uma rejeição elevada, para um candidato ainda não muito conhecido da população geral. Desta forma, Geraldo Alckmin provavelmente irá crescer. Isso porque o tucano terá as máquinas paulistas e paulistanas ao seu dispor; capilaridade pelo País com o PSDB e uma provável coalização com PMDB, DEM, PSD, PTB & Cia; além do maior tempo de TV e Rádio, apoio maciço da grande imprensa, do Mercado e, até da parte mais conservadora, dos Católicos e Evangélicos. O meu palpite é que Luiz Inácio Lula da Silva deverá ter sua condenação reformada na segunda instância. Ele poderá pegar uma leve prisão domiciliar de 4 ou 5 anos, o que o tira da corrida presidencial e, de quebra, dos palanques pelos municípios do Brasil afora. Desta maneira, o segundo turno deverá ser entre o nome mais forte da centro-esquerda, que é Ciro Gomes, contra o representante da centro-direita, Geraldo Alckmin. Anotem e me cobrem daqui 11 meses se eu estiver errado!
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