São Paulo: Ouvidoria vai receber denúncias de pessoas que vivem nas ruas


Moradores em situação de rua estiveram na Câmara Municipal para reclamar das abordagens da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana. Eles dizem que os casos de agressão verbal e física têm sido cada vez mais comuns. “Jogam spray na nossa cara, levam nossos pertences e até queimam nossos documentos”, acusou um dos inscritos, que preferiu não se identificar.

Marcos Ferreira, que vive na região central, confirmou as denúncias e reclamou da falta de diálogo com os agentes públicos. “Tem algum membro da Secretaria de Direitos Humanos acompanhando essa reunião aqui? Eu acho que não estão interessados em nos ouvir. E isso demonstra bem a distância entre eles e nós”.

Os relatos foram feitos à Comissão Extraordinária Permanente de Defesa de Direitos Humanos, Cidadania e Relações Internacionais.

O presidente do Movimento Estadual das Pessoas em Situação de Rua, Robson Mendonça, reforçou o discurso dos colegas e aproveitou para sugerir a criação de um canal exclusivo para denúncias dentro do Colegiado.

“Aqui é a Casa do Povo. E a população que mora na rua é povo. Então se faz necessária aqui uma Ouvidoria para a população de rua, porque os direitos dessas pessoas são violados constantemente e muitas vezes eles querem fazer essas denúncias, mas nãos sabem para onde levá-las”, disse.

A ideia de Robson, que é ex-morador de rua, foi imediatamente acatada pelos vereadores. Sâmia Bonfim (PSOL) propôs um formato de reuniões periódicas com representantes da Prefeitura.

“Poderia ser um encontro mensal ou bimestral para que a população de rua possa vir aqui relatar as denúncias e dialogar diretamente com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e de Segurança Urbana. Essa já é uma demanda antiga deles. O padre Júlio Lancelotti já havia feito esse pedido e acho que é uma iniciativa importante e possível de ser realizada”.

De acordo com Sâmia, o tema será discutido nas próximas reuniões para definir as datas e protocolar os convites.

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