Estilo Trump: gestão João Dória não esconde desconforto com imprensa


A relação do prefeito de São Paulo João Dória (PSDB) com a imprensa tem se deteriorado na mesma proporção do que seu espelho americano – o presidente Donald Trump.

O site oficial da Prefeitura desde o dia 4 de setembro tem exposto ponto a ponto questões que não concorda nos sites e emissoras de rádio. O estilo Doria é inverso dos demais gestores, que tentam contemporizar com a imprensa.

Jornalista por formação, Doria acha que o melhor é questionar.

Na atual gestão, a maior pendenga envolve a rádio CBN, que foi caixa amplificadora para a suposta ação de jogar jato de água em m endigos que habitavam espaços públicos da capital paulista.

A nota da Prefeitura repercute a informação: “Rádio CBN não tem imagens que comprovem o que afirmou em reportagem”.

Lei a nota: 

Nota da Prefeitura

Desde julho, a rádio CBN acusa a Prefeitura de São Paulo de um ato abominável sem conseguir comprovar que o suposto fato ocorreu. A reportagem que afirmou ter visto moradores de rua serem acordados com jatos d’água na Praça da Sé, em 19 de julho, estava com um celular em mãos, mas não registrou em vídeo nem a agressão nem o relato dos atingidos, supostamente molhados durante o sono pelas equipes que fazem a limpeza na região central. A rádio publicou na data, em seu site, uma reportagem com a manchete “Moradores de rua em São Paulo são acordados com jatos de água fria”. O próprio conteúdo da matéria, no entanto, relativizava a abordagem, falando em respingos e dizendo que os jatos “não iam diretamente para cima das pessoas, mas chegavam do lado delas”. Funcionários da Prefeitura, alarmados com a acusação, conversaram com os envolvidos, assistiram a imagens de câmeras de segurança gravadas na data e não encontraram elementos que justificassem uma punição aos responsáveis pelo serviço de limpeza na Praça da Sé. A imagem mais próxima do horário relatado pela reportagem mostra lavagem no nível do chão. O prefeito regional da Sé, Eduardo Odloak, foi além e conversou pessoalmente com a repórter, que disse a ele não ter sido testemunha ocular da agressão. A reportagem teria sido baseada no relato dos moradores de rua, só que estes importantes testemunhos sobre supostos casos de abuso durante os serviços de limpeza tampouco foram registrados em vídeo, o que poderia permitir que fossem mostradas as pessoas molhadas. Para dar transparência ao processo, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana disponibilizou no dia seguinte, para toda a imprensa, o link das imagens disponíveis – duas horas de gravação que mostram a chegada e a atuação das equipes de limpeza na praça. A rádio CBN, por meio do Portal da Transparência, solicitou novamente as imagens de 19 de julho e as recebeu. Também foi concedida à equipe de reportagem, na semana passada, uma entrevista de quase duas horas com o prefeito regional da Sé, que explicou exaustivamente tudo o que a Prefeitura fez na tentativa de esclarecer o caso e punir os eventuais responsáveis. Mas novamente, em reportagem veiculada nesta segunda-feira (4), a rádio CBN faz acusações graves contra a Prefeitura, cobrando da gestão municipal imagens que comprovem que não houve jatos d’água direcionados aos moradores de rua, quando nem mesmo a repórter que estava presente no local registrou a cena em vídeo. Ora, o que se vê aqui, portanto, é uma inversão de lógica: a Prefeitura precisa provar que não houve irregularidade, enquanto a própria rádio não tem prova das acusações, que poderiam inclusive resultar na demissão de funcionários. Dois pesos, duas medidas. A Prefeitura reitera que apura todas as acusações de desvios de conduta de seus funcionários e não deixará de punir os responsáveis caso seja comprovada alguma irregularidade, o que não aconteceu até agora.

 

Anterior Proposta que cria o Simples Municipal está pronta para ser votada
Próxima São Paulo: falta de comida para gatos preocupa vereadores